Daniel Mors, presidente fundador da Golden Brasil e empresário especialista em negócios com minérios, esclarece que diamantes são precificados internacionalmente com referência ao dólar, o que faz com que o valor de compra de um diamante certificado no Brasil oscile conforme a cotação da moeda americana, mesmo quando o preço do diamante em si permanece estável no mercado internacional.
Entender essa relação ajuda o investidor brasileiro a não confundir uma variação de preço causada pelo câmbio com uma mudança real na avaliação técnica ou na demanda pela pedra, dois fatores que precisam ser lidos separadamente para uma análise correta do investimento.
Por que o diamante é cotado internacionalmente em dólar?
O mercado de diamantes opera de forma globalizada, com centros de negociação, lapidação e certificação distribuídos entre diferentes países, o que levou historicamente o setor a adotar o dólar como referência de precificação internacional. Essa padronização facilita a comparação de preços entre diferentes mercados consumidores, mas também significa que qualquer investidor fora dos Estados Unidos está sujeito à variação cambial de sua própria moeda em relação ao dólar no momento da compra.
Para Daniel Mors, essa característica não é exclusiva do diamante: outras commodities e ativos negociados internacionalmente seguem lógica semelhante, com preço de referência em dólar e conversão para a moeda local no momento da transação, o que torna esse tipo de exposição cambial comum a diferentes categorias de ativos físicos, não uma peculiaridade isolada do mercado de pedras preciosas.
Como a alta ou queda do dólar afeta o comprador brasileiro?
Quando o dólar se valoriza frente ao real, o mesmo diamante, com preço em dólar inalterado, passa a custar mais em reais para o comprador brasileiro. O contrário também ocorre: uma desvalorização do dólar reduz o custo em reais de uma pedra cujo preço internacional não mudou, ainda que a pedra em si continue exatamente com as mesmas características técnicas de antes.

Daniel Mors pondera que esse efeito cambial pode, em determinados períodos, superar ou anular a própria valorização histórica do diamante, já que os dois movimentos, preço internacional da pedra e variação cambial, acontecem de forma independente e nem sempre na mesma direção. Um investidor pode, por exemplo, observar valorização em dólar da pedra e ainda assim registrar perda em reais, caso o real se valorize de forma mais acentuada no mesmo período.
Por que essa oscilação está prevista em produtos com diamantes?
Diamantes podem sofrer oscilações no valor de compra conforme a cotação do dólar, fator que precisa ser considerado pelo investidor antes da negociação. Segundo Daniel Mors, essa compreensão permite entender, desde o início, que parte da variação de preço observada ao longo do tempo não está relacionada à pedra em si, mas ao comportamento da moeda entre o momento da compra e qualquer avaliação posterior.
Daniel Mors ressalta que ignorar esse fator cambial pode levar o investidor a interpretações equivocadas sobre o desempenho de seu investimento, atribuindo à pedra oscilações que, na realidade, pertencem ao mercado de câmbio, e não a qualquer mudança na qualidade ou na demanda pelo diamante adquirido.
O que considerar antes de investir em um ativo com essa exposição cambial?
Quem investe em diamantes certificados no Brasil está exposto não apenas ao comportamento do mercado internacional de diamantes, mas também à variação da taxa de câmbio entre real e dólar, dois fatores que precisam ser avaliados separadamente para uma leitura correta do investimento ao longo do tempo.
No fim, reforça Daniel Mors, que entender essa dupla exposição, ao mercado da pedra e ao câmbio, é o que evita que o investidor tire conclusões precipitadas sobre a valorização ou desvalorização de seu ativo em um determinado período específico, já que um resultado momentâneo pode refletir muito mais o comportamento do dólar do que qualquer mudança real no valor técnico da pedra adquirida.
