Elmar Juan Passos Varjão Bomfim integra um grupo de profissionais que observa, com perspectiva de longo prazo, as transformações que estão moldando o futuro da infraestrutura no Brasil. Após décadas marcadas por investimentos insuficientes e descontinuidade de planejamento, o país parece reunir, neste momento, uma combinação pouco comum de fatores favoráveis: marcos regulatórios atualizados, apetite crescente de investidores institucionais e uma agenda de transição energética que coloca o Brasil em posição de destaque global.
Mapear as tendências que vão definir a próxima década de infraestrutura no país é um exercício que vai muito além de listar obras planejadas. Trata-se de identificar mudanças estruturais na forma como projetos são concebidos, financiados, executados e operados, mudanças que já estão em curso e que tendem a se intensificar nos próximos anos.
A infraestrutura digital vai se tornar tão essencial quanto rodovias e portos?
A convergência entre infraestrutura física e infraestrutura digital é um fenômeno que tende a se acelerar de forma significativa nos próximos anos. Data centers de grande porte, redes de fibra óptica de longa distância e sistemas de conectividade para operação remota de ativos industriais já são considerados, por investidores e governos, tão estratégicos quanto rodovias, ferrovias e portos. Elmar Juan Passos Varjão Bomfim acompanha essa convergência como uma das mudanças mais relevantes na forma de conceber projetos de infraestrutura.
Projetos de infraestrutura convencional cada vez mais incorporam componentes digitais desde a concepção. Rodovias inteligentes com sensores de tráfego, portos com sistemas automatizados de movimentação de cargas e parques de energia com monitoramento remoto integrado representam uma nova categoria de empreendimentos, em que a engenharia civil e a engenharia digital deixam de ser disciplinas separadas. Para empresas de construção e infraestrutura, isso significa que a competitividade futura dependerá tanto da capacidade de erguer estruturas físicas quanto de integrar sistemas digitais complexos a essas estruturas.
O financiamento privado de longo prazo vai consolidar novos modelos de concessão
Fundos de pensão, fundos soberanos e investidores institucionais internacionais têm direcionado volumes crescentes de capital para infraestrutura brasileira, atraídos por contratos de longo prazo com fluxos de receita previsíveis. Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, CEO da André Guimarães Engenharia e Infraestrutura, reconhece nesse movimento uma conexão direta entre a experiência acumulada em projetos de grande escala e as novas formas de financiamento que ganham espaço no país.
Esse movimento está consolidando modelos de concessão mais sofisticados, que distribuem riscos entre setor público e privado de forma mais equilibrada do que ocorria em décadas anteriores. Dois fatores se destacam como determinantes para essa nova fase:
- Governança contratual robusta, com mecanismos claros de reajuste tarifário e regras estáveis ao longo de todo o prazo da concessão.
- Métricas objetivas de desempenho, que permitem aos investidores avaliar riscos com maior precisão e reduzem o custo do capital ofertado aos projetos.

A consolidação desses modelos representa uma mudança de paradigma na forma como o Brasil viabiliza seus grandes projetos, com tarifas mais competitivas para os usuários como consequência direta de estruturas financeiras mais sólidas.
Energias renováveis vão deixar de ser alternativa e se tornar protagonistas?
A transição energética brasileira já não é mais discutida como tendência futura, mas como realidade presente que continua se acelerando. A combinação de energia solar, eólica, biomassa e, mais recentemente, hidrogênio verde está reconfigurando o mapa de investimentos em energia no país, com impactos diretos sobre a demanda por infraestrutura de transmissão, armazenamento e logística especializada. Elmar Juan Passos Varjão Bomfim analisa esse deslocamento como um dos movimentos mais significativos da economia brasileira na atual década.
Regiões que até pouco tempo eram consideradas periféricas no mapa econômico brasileiro, como partes do semiárido nordestino, despontam agora como polos de geração energética com potencial de atrair indústrias inteiras dependentes de energia limpa e abundante. Esse deslocamento geográfico de investimentos cria demanda por novas rodovias, portos adaptados para exportação de equipamentos e componentes, e expansão de redes elétricas em regiões que historicamente receberam pouco investimento em infraestrutura.
Sustentabilidade vai deixar de ser diferencial e se tornar pré-requisito
Critérios ambientais, sociais e de governança, antes tratados como diferencial competitivo, estão se tornando condição básica para acesso a financiamento e para aprovação de novos projetos. Bancos de desenvolvimento, agências multilaterais e investidores privados incorporam cada vez mais exigências de relatórios de impacto, métricas de carbono e planos de engajamento comunitário como parte integrante da análise de viabilidade. O ex-presidente da OAS acompanha de perto essa transformação, que redefine os critérios de viabilidade para projetos de qualquer porte.
Projetos que não conseguem demonstrar, com dados concretos, seu desempenho socioambiental encontrarão acesso restrito a determinadas fontes de capital, especialmente aquelas vinculadas a fundos com mandatos específicos de sustentabilidade. Essa transformação não representa apenas uma mudança de exigências formais, mas uma redefinição completa dos critérios que separam projetos viáveis de projetos inviáveis no cenário de financiamento global.
Uma década decisiva para o desenvolvimento brasileiro
As próximas décadas vão exigir do setor de infraestrutura brasileiro uma combinação de competências que poucas gerações de profissionais tiveram a oportunidade de desenvolver simultaneamente: domínio técnico em engenharia tradicional, familiaridade com tecnologias digitais, sofisticação na estruturação financeira e compromisso genuíno com critérios de sustentabilidade.
Profissionais com trajetória consolidada em grandes projetos, como Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, representam exatamente esse tipo de perfil multidisciplinar, capaz de conectar décadas de experiência prática com as exigências de um setor que está sendo completamente redesenhado diante dos olhos de quem o acompanha de perto.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
