Cantor de 85 anos afirmou nunca ter gravado o conteúdo que circula nas redes sociais, e caso se soma ao de Fernanda Montenegro, alvo de golpe parecido no mesmo mês
Um vídeo com a imagem e a voz de Roberto Carlos recriadas por inteligência artificial passou a circular nas redes sociais nos últimos dias, sem qualquer autorização do cantor. Na peça falsa, a tecnologia foi usada para simular o artista divulgando um suposto tratamento de saúde, prática que vem se tornando cada vez mais comum contra figuras públicas no Brasil.
Diante da repercussão do material, a equipe do cantor publicou um comunicado no Instagram na noite de segunda-feira, 20 de julho, desmentindo o conteúdo de forma direta. Segundo o texto, o vídeo foi criado com inteligência artificial, utilizando a imagem do artista e uma voz que imita a dele para divulgar um produto que ele nunca recomendou, conforme divulgado pelo jornal O Tempo.
O alerta do cantor aos seguidores
Na publicação, Roberto Carlos reforçou que nunca gravou o conteúdo em questão e que não autorizou o uso de sua imagem ou de sua voz para qualquer finalidade comercial relacionada ao vídeo. O artista também deixou claro que não tem nenhuma relação com o tratamento, o produto ou o suposto médico mencionado na peça falsa, de acordo com reportagem do portal abc+.
O cantor pediu ainda que os seguidores não compartilhem o material, destacando que esse tipo de conteúdo pode induzir pessoas ao erro e causar prejuízo a quem acredita em informações falsas sobre saúde. Por fim, orientou o público a buscar informações apenas em seus canais oficiais, já que qualquer comunicado verdadeiro sobre sua carreira ou sua vida pessoal será divulgado exclusivamente por esses meios.
Um problema que vai além de Roberto Carlos
O caso do cantor não é isolado. Ainda em julho, a atriz Fernanda Montenegro, de 96 anos, também foi alvo de uma peça semelhante, com sua imagem e voz reproduzidas por inteligência artificial para divulgar um suposto medicamento contra o Alzheimer, sem qualquer autorização, segundo apurado pela Rádio Pampa. Os dois episódios reforçam uma tendência que especialistas em segurança digital já vinham monitorando ao longo do ano.
Um levantamento da empresa de cibersegurança KnowBe4 apontou que 90% dos profissionais brasileiros afirmam que conteúdos de voz e vídeo gerados por inteligência artificial se tornaram tão realistas que já é difícil saber em que confiar, um sinal de que o problema deixou de ser restrito a celebridades e afeta também o dia a dia de empresas e do público em geral.
Como o público reagiu ao caso
Nos comentários da publicação de Roberto Carlos, fãs relataram já terem visto o vídeo falso circulando em grupos de redes sociais e agradeceram o alerta feito pelo cantor, conforme registrado pelo portal OFuxico. Diversos seguidores afirmaram ter estranhado o conteúdo antes mesmo do desmentido oficial, o que reforça a importância de campanhas de conscientização como a que o próprio artista decidiu fazer.
Casos como esse têm levado especialistas a recomendar cautela redobrada diante de vídeos que envolvem indicações de saúde atribuídas a famosos, já que esse tipo de golpe costuma se aproveitar exatamente da confiança que o público deposita em rostos conhecidos para divulgar produtos sem qualquer comprovação científica.
Enquanto a investigação sobre a origem do vídeo segue em aberto, a recomendação de Roberto Carlos permanece a mesma: desconfiar de qualquer conteúdo que fuja dos canais oficiais do artista, e nunca tomar decisões sobre saúde com base em vídeos que circulam sem fonte confirmada.
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