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Brasileiros podem integrar projeto do aqueduto que levará água do Mar Vermelho para preservar o Mar Morto

Diego Velázquez
Diego Velázquez
6 Min de leitura
Brasileiros podem integrar o projeto do aqueduto do Mar Vermelho ao Mar Morto, e Paulo Roberto Gomes Fernandes analisa os impactos técnicos e geopolíticos dessa iniciativa histórica.
Brasileiros podem integrar o projeto do aqueduto do Mar Vermelho ao Mar Morto, e Paulo Roberto Gomes Fernandes analisa os impactos técnicos e geopolíticos dessa iniciativa histórica.

Paulo Roberto Gomes Fernandes relembra que um dos projetos de engenharia mais ambiciosos do Oriente Médio começou a ganhar forma a partir de 2018: a construção de um aqueduto capaz de transportar água do Mar Vermelho até o Mar Morto, numa tentativa concreta de frear o acelerado processo de desaparecimento desse que é o ponto mais baixo da superfície terrestre. Conhecido como Canal da Paz, o empreendimento é liderado por Jordânia e Israel e passou a atrair o interesse de empresas internacionais especializadas em grandes obras de infraestrutura subterrânea, entre elas a brasileira Liderroll.

A possível participação brasileira está associada à complexidade técnica do projeto. O traçado do aqueduto exige a perfuração de um túnel com cerca de 25,5 quilômetros de extensão, atravessando uma extensa cordilheira até alcançar o Mar Morto. Nesse contexto, soluções avançadas de lançamento de dutos em ambientes confinados tornaram-se fundamentais, o que abriu espaço para a atuação da engenharia desenvolvida sob a coordenação de Paulo Roberto Gomes Fernandes, que acompanha projetos dessa natureza fora do Brasil há vários anos.

Um projeto de escala inédita

O aqueduto foi concebido para operar com seis dutos de 114 polegadas de diâmetro, responsáveis por transportar grandes volumes de água dessalinizada. Ainda na fase de estudos, engenheiros avaliam se a solução final envolverá um túnel individual para cada tubo ou a instalação conjunta dos seis dutos em um único túnel de maior diâmetro, alternativa que impõe desafios estruturais e operacionais adicionais devido à pressão hidráulica envolvida.

Foi justamente nessa etapa de avaliação técnica que surgiram conversas preliminares com empresas capazes de lidar com lançamentos de dutos em longas distâncias subterrâneas. A experiência acumulada por Paulo Roberto Gomes Fernandes em projetos de túneis para gasodutos e oleodutos em regiões montanhosas passou a ser considerada como referência para esse tipo de solução.

Engenharia a serviço da preservação ambiental

O objetivo central do projeto é conter o encolhimento acelerado do Mar Morto, que perdeu cerca de um terço de sua área desde a década de 1960 e continua a baixar aproximadamente um metro por ano. A principal causa é a redução drástica do fluxo do Rio Jordão, somada à intensa atividade de exploração mineral, especialmente de potássio, que acelera a evaporação das águas.

O aqueduto que levará água do Mar Vermelho para salvar o Mar Morto abre espaço para engenheiros brasileiros, como destaca Paulo Roberto Gomes Fernandes ao comentar essa megainfraestrutura.
O aqueduto que levará água do Mar Vermelho para salvar o Mar Morto abre espaço para engenheiros brasileiros, como destaca Paulo Roberto Gomes Fernandes ao comentar essa megainfraestrutura.

O plano prevê a captação anual de cerca de 300 milhões de metros cúbicos de água do Mar Vermelho, que serão dessalinizados na cidade de Aqaba, no sul da Jordânia. Parte dessa água será destinada ao consumo humano, enquanto o rejeito salino resultante do processo será transportado pelo aqueduto até o Mar Morto, numa tentativa inicial de estabilizar seu nível.

Projetos dessa natureza exigem não apenas soluções de engenharia robustas, mas também extrema atenção aos impactos ambientais e à durabilidade das estruturas em regiões de clima severo.

Cooperação regional e desafios políticos

O Canal da Paz é resultado de um esforço conjunto envolvendo engenheiros jordanianos, israelenses e palestinos, refletindo uma rara cooperação regional em torno de um problema ambiental comum. O acordo que viabilizou o projeto foi formalizado em 2015 e prevê, além do aqueduto, a troca recíproca de água potável entre os países envolvidos, beneficiando áreas com maior escassez hídrica.

Mesmo com avanços técnicos, o projeto enfrenta desafios financeiros relevantes. O custo estimado gira em torno de 1 bilhão de dólares, dos quais cerca de 400 milhões dependeriam de recursos públicos. Parte do financiamento foi sinalizada por doações internacionais e linhas de crédito de instituições europeias, mas a estrutura final ainda exigia definições.

Segundo análises de Paulo Roberto Gomes Fernandes, a viabilidade de empreendimentos dessa escala depende diretamente da combinação entre engenharia eficiente, estabilidade política e compromissos financeiros de longo prazo.

Interesse brasileiro em grandes obras internacionais

A possível participação da Liderroll no projeto do aqueduto se insere em uma estratégia mais ampla de atuação internacional da empresa, que desde meados da década de 2010 passou a concentrar esforços fora do Brasil. Além do Canal da Paz, a companhia acompanhava, à época, outros projetos de grande porte na Ásia, incluindo gasodutos que cruzariam extensas cadeias de montanhas.

Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, iniciativas como essa demonstram como a engenharia pode cumprir um papel decisivo não apenas no desenvolvimento econômico, mas também na mitigação de crises ambientais severas. O projeto do aqueduto entre o Mar Vermelho e o Mar Morto, ainda em fase de consolidação em 2018, simbolizava justamente essa convergência entre tecnologia, sustentabilidade e cooperação internacional.

Autor: Gennady Sorokin

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