Durante anos, ambientes dominados por bege, branco, cinza e outras tonalidades neutras se consolidaram como referência no design de interiores. Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, acompanha um momento em que essa preferência começa a dividir espaço com propostas mais coloridas, marcadas por tons terrosos, verdes, azuis, vermelhos profundos e combinações menos previsíveis.
Leia mais a seguir!
Por que tantos interiores ficaram bege?
As tonalidades neutras conquistaram espaço por uma razão prática. Elas facilitam combinações, permitem mudanças posteriores no mobiliário e costumam funcionar como base para diferentes estilos. Além disso, cores claras podem favorecer a sensação de continuidade visual, característica especialmente interessante em ambientes integrados e imóveis compactos. Essa versatilidade também permite renovar determinados elementos da decoração sem exigir que toda a composição cromática seja modificada.
Entretanto, a ampla circulação de referências semelhantes contribuiu para uma repetição estética. Paredes claras, madeira em tonalidades suaves, tecidos naturais e móveis de formas discretas passaram a aparecer em projetos muito diferentes entre si. Aos poucos, aquilo que representava simplicidade e equilíbrio também começou a ser associado a interiores excessivamente padronizados. Assim, ambientes pensados para transmitir neutralidade podem acabar apresentando poucas pistas sobre os gostos, hábitos e referências de quem realmente vive neles.
Nesse contexto, Daugliesi Giacomasi Souza permite observar uma transformação relevante no universo da decoração. O questionamento atual não está necessariamente direcionado ao bege, mas ao uso automático de uma paleta apenas porque ela é considerada segura. Quando a escolha deixa de considerar hábitos, preferências e características do espaço, a neutralidade pode perder parte de sua função original. O desafio passa a ser utilizá-la de maneira intencional, combinando equilíbrio visual com elementos capazes de conferir identidade ao ambiente.
Por que as cores estão voltando?
A retomada das cores acompanha uma valorização maior da individualidade dentro de casa. Em vez de buscar somente ambientes visualmente uniformes, parte das propostas contemporâneas incorpora tonalidades capazes de criar atmosferas específicas. Verdes profundos podem estabelecer uma percepção diferente de terracotas, azuis ou amarelos, por exemplo, ainda que todos sejam utilizados de maneira equilibrada. A escolha cromática passa, assim, a contribuir para definir o caráter de cada cômodo e diferenciá-lo dos demais espaços da residência.

De acordo com Daugliesi Giacomasi Souza, essa mudança também aparece na forma de aplicar a cor. Ela não precisa ficar restrita a almofadas, vasos e pequenos objetos facilmente substituíveis. Paredes, tetos, portas, marcenaria e móveis maiores podem assumir protagonismo cromático, fazendo com que a tonalidade escolhida participe efetivamente da arquitetura visual do ambiente. Com isso, a cor deixa de funcionar apenas como um detalhe decorativo e passa a interferir na percepção de profundidade, continuidade e destaque dentro do espaço.
Mais cor significa abandonar os ambientes neutros?
Não. Segundo Daugliesi Giacomasi Souza, um dos principais equívocos dessa discussão é imaginar uma disputa entre casas completamente neutras e interiores intensamente coloridos. Existem inúmeras possibilidades intermediárias. Um ambiente pode preservar paredes claras e introduzir uma marcenaria verde, um sofá vinho ou uma peça de destaque sem perder a sensação de equilíbrio. Dessa maneira, a presença da cor pode ser graduada conforme o perfil dos moradores e a função de cada espaço, sem exigir uma transformação radical da decoração.
Os próprios neutros também podem ganhar novas interpretações. Bege, creme, marrom, areia e tonalidades terrosas oferecem diferentes profundidades quando combinados a madeira, pedra, fibras e tecidos. Assim, mesmo uma composição predominantemente discreta pode se afastar da aparência homogênea que marcou determinadas referências dos últimos anos. A combinação de materiais com diferentes acabamentos e texturas ainda acrescenta contraste visual, mesmo quando a paleta permanece contida e próxima dos tons naturais.
A questão passa a ser menos sobre quantidade de cor e mais sobre intenção. Um único tom utilizado de maneira consistente pode produzir mais personalidade do que diversos elementos coloridos distribuídos sem relação entre si. Essa lógica ajuda a explicar por que o retorno das cores não precisa significar necessariamente uma adesão ao maximalismo. Mais importante do que preencher o ambiente com tonalidades variadas é compreender onde a cor pode criar destaque, estabelecer continuidade ou reforçar a atmosfera desejada para aquele espaço, destaca Daugliesi Giacomasi Souza.
Para acompanhar mais conteúdos sobre decoração e interiores da fundadora da DGdecor, o perfil @dgdecor.construir no Instagram reúne novas referências e ideias sobre o tema.
