Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, CTO, considera que escolher um datacenter começa pela operação que ele precisa sustentar. A instalação adequada combina energia, conectividade, refrigeração e procedimentos compatíveis com o risco do negócio.
Essa distinção evita uma decisão comum: comparar instalações apenas pelo preço por rack ou pela capacidade nominal. Um ambiente pode parecer vantajoso na contratação e se tornar caro quando exige enlaces adicionais, expansão elétrica ou mudanças na arquitetura da aplicação.
A escolha, portanto, deve transformar requisitos de negócio em critérios verificáveis de infraestrutura. O primeiro passo é separar o que limita a operação hoje daquilo que pode comprometer seu crescimento.
Qual demanda o datacenter precisa atender?
A capacidade computacional deve ser dimensionada a partir do perfil das cargas, não de uma estimativa genérica de consumo. Aplicações transacionais, bancos de dados, análise de dados e inteligência artificial produzem padrões diferentes de processamento, armazenamento e tráfego entre servidores.
Uma operação de varejo, por exemplo, pode ter picos concentrados em campanhas, datas sazonais e períodos de fechamento. Já uma plataforma analítica pode exigir processamento contínuo. Mapear esses ciclos ajuda a avaliar densidade de potência, espaço disponível e margem de expansão sem superdimensionar toda a instalação.
Também é necessário traduzir a necessidade técnica para o impacto aceitável de uma falha. Uma aplicação pode tolerar degradação temporária, enquanto outra exige recuperação rápida e perda mínima de dados. Esse requisito orienta a escolha da topologia e dos serviços, antes mesmo da visita ao local.
Como avaliar energia e refrigeração?
Energia e refrigeração formam um único critério operacional: o segundo depende diretamente da carga térmica produzida pelo primeiro. A análise deve considerar alimentação, geradores, nobreaks, autonomia, manutenção e possibilidade de ampliar a potência contratada sem reformar a instalação inteira.

Na prática, a redundância precisa ser entendida pelo caminho completo. Ter dois equipamentos não basta se ambos dependem do mesmo quadro, circuito ou procedimento de manutenção. As classificações Tier do Uptime Institute organizam diferenças de infraestrutura, manutenção e tolerância a falhas, mas não substituem a avaliação do caso de uso.
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira observa que a margem para crescimento é tão relevante quanto a capacidade inicial. Equipamentos mais densos, especialmente em cargas de IA, alteram o desenho térmico do ambiente. Por isso, o contratante deve verificar limites por corredor, rack e sala, além do método de refrigeração utilizado.
Que conectividade reduz o risco de dependência?
A conectividade precisa ser avaliada como parte da arquitetura, e não como item comprado depois. A instalação deve oferecer operadoras, rotas físicas distintas, pontos de interconexão e condições para estabelecer enlaces entre ambientes próprios, provedores de nuvem e parceiros críticos.
Uma rota redundante só reduz o risco quando é realmente independente. Cabos que percorrem a mesma entrada predial, a mesma caixa subterrânea ou o mesmo trecho de rua podem falhar juntos. O desenho deve ser confirmado em documentação técnica e, quando possível, em testes de comutação acompanhados pela equipe responsável.
Outro aspecto é a distância entre usuários, serviços e dados. Latência, custo de transferência e requisitos regulatórios podem tornar uma instalação próxima mais adequada do que uma alternativa com preço inferior. A decisão deve considerar o caminho completo da informação, não somente o ponto onde o servidor ficará instalado.
Como transformar a visita em decisão?
Uma visita técnica eficiente começa com perguntas sobre manutenção, incidentes, acesso, monitoramento e expansão. Também deve verificar como a instalação registra mudanças, testa geradores e nobreaks, controla temperatura e umidade e conduz intervenções sem afetar ambientes críticos.
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira explica que documentos operacionais merecem o mesmo cuidado dedicado aos equipamentos. A empresa deve solicitar diagramas atualizados, níveis de serviço, histórico de indisponibilidade, responsabilidades de cada parte e regras para auditoria. Sem essa evidência, a comparação entre fornecedores fica baseada em promessas difíceis de medir.
A escolha amadurece quando cada critério recebe peso conforme o risco do negócio. Preço, localização, energia, conectividade, segurança, sustentabilidade e capacidade de expansão podem ser comparados em uma matriz, desde que os itens eliminatórios sejam definidos antes da pontuação. Como resume Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, esse método aproxima a infraestrutura da estratégia; o datacenter deixa de ser um endereço e passa a ser uma decisão de continuidade operacional.
